
O U-2515 saíra de Bergen durante a noite do dia 30 de Abril de 1945. O comandante, Adalbert Schnee, recebera instruções para se dirigir ao Atlântico, sempre em imersão.
Logo no dia seguinte (escreve o comandante Schnee), tivemos um primeiro contacto com o nosso adversário no mar do Norte; não teve grandes consequências, a não ser uma aceleração do nosso ritmo cardíaco. A voz do escuta que acabava de detectar um grupo de caçadores de submarinos não deixou de reflectir, como sempre, em situações análogas, a apreensão experimentada em todos os submarinos de tipo antigo de que fossem despejados por cima das nossas cabeças algumas fiadas de granadas submarinas. Toda a minha tripulação, composta por marinheiros aguerridos, estava habituada a sentir caírem perto deles essas granadas que choviam às centenas aquando das patrulhas precedentes.
Foi quando já íamos no Atlântico que recebemos a ordem para cessar combate; estávamos a 4 de Maio, e eis a ordem que recebemos:
Marinheiros dos submarinos alemães! Durante cinco anos, vocês bateram-se corajosamente em todos os mares do Mundo. Podem considerar com orgulho as vossas acções de guerra. A partir de hoje, entraram na História. Mas, por mais duros que tenham sido os vossos combates, espera-vos a mais dura provação: Temos de capitular e executar as ordens de cessar as hostilidades e de regressar às vossas bases.
No dia 4 de Maio, algumas horas depois de ter recebido a ordem para cessar o combate, a nossa escuta assinalou-nos um ruído de hélice muito nítido, vindo do norte. Depois de termos subido à imersão adequada, pude observar, pelo periscópio, um cruzador inglês da classe Suffolk escoltado por vários contratorpedeiros. Durante toda a guerra, nunca tivera uma «peça» daquelas ao meu alcance, e agora, depois de cessar o combate, è que aquilo me acontecia! Entretanto, fui-me aproximando do cruzador inglês com mais absoluta discrição, algumas raras acelerações permitindo-nos chegar perto dele. Nenhuma manobra ou ziguezague teria salvo o nosso adversário, pois o nosso submarino seguia, em imersão, todos os seus movimentos. O ataque passara a ser uma brincadeira de crianças, em comparação com as possibilidades dos submarinos precedentes.
No dia 5 de Maio emergimos em frente de Bergen e entrávamos no porto. Com grande surpresa nossa, encontrámos lá o cruzador inglês, que podia considerar-se cheio de sorte por ter encontrado o U-2515 algumas horas depois do fim das hostilidades em vez de algumas horas antes. Mostrou-se muito interessado no nosso submersível.
Levaram-me a bordo do cruzador, onde me apresentaram o estado-maior. Como se podia calcular, mostrei-me muito discreto durante este primeiro contacto com o adversário, ao qual não fiz, por assim dizer, nenhuma revelação. No entanto, quando o almirante me interrogou a respeito dos meus últimos contactos com o inimigo, tive de reconhecer que se ligavam precisamente a esse cruzador em que nos encontrávamos. Foi nesse momento que as coisas se estragaram. Duvidaram das minhas afirmações. O comandante do cruzador e os comandantes dos contratorpedeiros foram confrontados, verificada a hora e a localização do encontro, o que finalmente, permitiu estabelecer a prova do que eu dissera.

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