quarta-feira, 3 de junho de 2009


Assim que qualquer uma das pequenas embarcações estivesse carregada com cerca de 200kg. de cada vez, o pescador rumava ao navio mãe para o entregar, e assim que esta tarefa estava concluída, o homem regressava à pesca. O capitão só chamava os pescadores a bordo quando se avizinhava mau tempo ou quando pretendia mudar de pesqueiro. Salvo estas duas excepções, o lançar da linha só terminava à tarde, quando se seguia o trabalho a bordo. O bacalhau seguia para o trote (corte da cabeça), para a escala (abertura) e posteriormente para as celhas onde era salgado e armazenado. Tal trabalho podia (dependendo do resultado da faina), demorar variadíssimas horas, terminando por volta da meia-noite, hora de
recolher.
Quando a pescaria corria bem no, final do trabalho e já com o convés limpo, davam a «chora», uma sopa de cabeças de bacalhau.
As condições a bordo eram por esses tempos, más, os pescadores saíam de casa para o mar e não tinham legumes, fruta ou carne fresca para comer. Eram seis meses em cima de água sem poderem tomar banho, não havia sequer água doce para lavar a cara, toda a gente cheirava mal, mas a dada altura já ninguém se incomodava com isso, cheiravam todos ao mesmo.
A disciplina a bordo era rígida para poder levar uma tripulação de 60 homens a bom porto. Os oficiais (capitão, imediato, piloto e 1º maquinista), estavam num patamar superior, ganhavam soldo mensal, comiam em instalações à parte e eram, já nessa altura, altamente instruídos, recebendo formação especializada na Escola Náutica. Escola de Pesca, em Pedrouços, uma escola profissional onde eram formados para ir ao bacalhau. Era uma escola “do tempo da outra senhora”, do tempo do comandante Tenreiro. Só aceitavam alunos que fossem filhos de pais

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