informar melhor da situação.
Decidira ir para a Argentina. Iria para lá sem atacar nem afundar mais nenhum navio. Dispunham de reservas de víveres consideráveis, que os poupavam à dor de ter de comer o pão do cativeiro, (palavras de Schaeffer). Mal sabia ele a que provações iria submeter a sua tripulação e a si próprio. Para começar, era preciso escapar à vigilância dos ingleses. Durante o dia, o U-997 navegava em imersão, a 10 metros, durante a noite, para recarregar os acumuladores e arejar um pouco o interior do navio, impunha-se a navegação à superfície.
E, assim, o U-997 deu a volta à Grã-Bretanha, lentamente, muito lentamente. Schaeffer autorizou os homens a fumarem na casa dos diesels durante a navegação a schnorchel. Essa era a única alteração da disciplina habitual a bordo dos submarinos.
Assim apertados, confinados, esses homens passaram seis semanas sem ver nem sol nem estrelas, sem ar puro, com frio, num ambiente cheio de humidade, de bolor, com o cheiro nauseabundo dos restos de comida e dos excrementos mal evacuados. As moscas e os vermes começaram a espalhar-se pelos alimentos. A seguir, foram as juntas dos diesels que aqueceram de mais e deixaram uma folga. Durante horas e horas, o U-997 navegou com um único motor. E sempre as mesmas caras, que começavam a enrugar-se, a esverdear-se. O cheiro era tal que o comandante reuniu os seus oficiais para ver se arranjavam um sistema para evacuar os detritos. Um deles propôs que se utilizassem os torpedos como caixotes de lixo e, em seguida, lançá-los. Schaeffer opôs-se a isso. Ao chegar a Buenos Aires, podiam acusá-lo de ter torpedeado navios.
O u-997 passou ao largo das costas ibéricas, sempre em imersão, e Schaeffer chegou a perguntar-se a si mesmo se não valeria a pena parar num porto neutro, mas, como já tomara a sua decisão iria até à Argentina.
Cometeram-se a bordo alguns actos de indisciplina, bastante veniais para homens que estavam com os nervos esfrangalhados. Então, o «velhote» decidiu restabelecer a sua autoridade. Foi vestir uma farda nova, com as suas condecorações, enfiou o boné branco na cabeça (apanágio dos comandantes) e apresentou-se diante dos seus homens falando-lhes seca e severamente. A disciplina e o respeito do chefe estavam tão entranhados no espírito daqueles homens que lhes teria sido impossível não obedeceram imediatamente. Por fim, ao cabo de 66 dias em imersão, Schaeffer achou que era possível emergir, sem perigo. Podemos imaginar aqueles homens a subir, por pequenos grupos, para o convés, respirando a plenos pulmões, e contemplando, quando caiu a noite, o Cruzeiro do Sul começou a apresentar-se a questão do combustível. Tinham percorrido 1.800 milhas, consumindo 40 toneladas *** de gasóleo; ora ainda lhes faltava percorrer mais 5.500 milhas e as reservas eram unicamente de mais 40 toneladas.
Apesar dos riscos que corria de ter um mau encontro, Schaeffer decidiu navegar de maneira económica. «Dei ordem», disse ele, «para navegar à superfície durante 10 horas; com auxílio de um diesel no regime de sessenta rotações de hélice. As 14 horas restantes eram para navegar com um motor eléctrico».
Quando passaram ao largo do Rio de Janeiro, já o calor era sufocante, mas o pior já passara, ficara na esteira do submarino.
No dia 17 de Agosto de 1945 tinham a argentina à vista! Antes de penetrar na zona das 3 milhas, Schaeffer enviou uma mensagem assinada: «German Submarine». Era o fim! Schaeffer deu as últimas ordens a bordo do U-997 em frente do Rio da Prata, no momento em que as autoridades argentinas punham o pé a bordo do seu submarino.
Durante muito tempo, Schaeffer foi acusado de ter transportado Hitler e até Eva Braun, de os ter desembarcado numa costa deserta. Durante muito tempo, foi «o homem que escondeu Hitler», uma lenda!
Em Rio da Prata, o oficial alemão veio a saber que outro submarino, o U-530 (ST Wermuth), vindo das costas americanas, o precedera naquele país.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
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