
Admira-se pois o céu está encoberto. Intrigado, dá ordem a um marinheiro para subir à gávea. O marinheiro observa durante muito tempo as supostas estrelas e desce de novo. «Não são estrelas», diz ele, «e sim luzes, um conjunto de luzes». Naess inspecciona a sombra dos seus binóculos. Distingue agora foguetes, vários foguetes. Dá então bruscamente a ordem para aparelhar. Em direcção ao local de onde brotam esses foguetes? Não, para leste. Vejamos porquê. «Pensávamos», confessou Naess, «que nos encontrávamos em águas territoriais americanas… e
que, esses foguetes significavam que tínhamos sido vistos por guardas costeiros. Se fosse-mos apanhados, ficaríamos sem a nossa pesca por uma parvoíce.»
Como o Samson não possuía rádio, Naess desconhecia que o Titanic se tinha afundado. Faz escala na Irlanda e fica a saber da catástrofe. A data aflige-o. Foi precisamente na noite de 14 para 15 de Abril que ele fugiu perante os foguetes de uma guarda costeira. Verifica no seu diário de bordo a posição do Samson nesse momento. Longitude 50º15`oeste, latitude 41º52`norte. Estava apenas a algumas milhas do Titanic e esses foguetes eram os dos náufragos!
Então Naess fica com medo. Ninguém pode ficar a saber a verdade, que nunca se saiba. Reúne os seus homens explica-lhes a situação. «Não houve qualquer ameaça», disse ainda Naess. «Simplesmente pusemo-nos de acordo para manter o segredo. Não havia razão para nos vangloriarmos. Razão para nos orgulharmos.»
Vira-se uma página nesta história secreta. O navio desconhecido do Titanic era o pescador de focas Samson. A explicação de Henrick Naess era convincente, na essência, mas ela supõe um mistério no centro do mistério. Ele afirma que pensava estar em águas territoriais americanas. Porém, encontrava-se 300 milhas a leste da Terra Nova. Primeira contradição. Segunda contradição: mesmo em águas jurisdicionais dos E.U.A., não havia razão para temer uma guarda costeira. Então porquê essa fuga? Transportaria ele contrabando? A sua tripulação estaria implicada nalgum caso suspeito? Sobre a verdadeira razão do seu comportamento estranho na altura do naufrágio do Titanic, o velho capitão, mesmo no limite da morte, manteve segredo.

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