sexta-feira, 19 de junho de 2009


quando os seus corpos se começavam a decompor. Em muitos casos, tinham mais sorte que os que ficavam nos botes.
Num salva-vidas, os homens esperavam dias, possivelmente semanas, até que morriam. Morriam de queimaduras, de ossos partidos, de feridas expostas e infectadas; e, mais tarde, de fome, de sede, de exposição ao sol e ao sal, ao frio do Norte ou ao calor dos trópicos.
Os que morriam eram atirados pela borda fora, quando algum dos companheiros ainda tinha forças suficientes para o fazer. Muitos botes salva-vidas foram encontrados com cadáveres (deitados ou sentados) que pareciam estar vivos, quando vistos de longe.
Alguns homens endoideciam completamente. Imaginavam ver navios, aviões e terra. Atiravam-se à água e afastavam-se da segurança do bote para irem ao encontro dessas aparições. Bebiam litros e litros de água do mar, para se dessedentarem. Olhavam para o sol, numa desesperada ânsia por chuva. Deliravam e gritavam; depois, morriam.

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