
Os homens trabalhavam vinte horas, com quatro horas de descanso e isto durante seis meses, (o bacalhau pesca-se durante todo o ano, ainda que a maior parte das capturas seja efectuada entre Abril e Setembro) e numa frágil embarcação que ameaçava vida dos tripulantes.
Alta madrugada, estrelas ainda no céu, os da campanha são acordados por uma voz que exclama: «seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo, são 4 horas, vamos arriar!» Os pescadores avançam para o rancho ainda estremunhados, è lhes dado: pão, postas de peixe frito, azeitonas, café e água. Depois de tudo arrumado, enfia-se a roupa de oleado, as botas de água e bebe-se um golo de aguardente “para matar o bicho”.
Vamos arriar com Deus! (ordena o capitão). Os pequenos barcos (os dóris), de fundo chato e tabuado rincado, introduzidos em Portugal nos finais do século XIX, são içados e posteriormente arriados nas águas do mar. Espalham-se à superfície da água esperando que a sua faina possa ser compensada (este peixe, normalmente vive em grandes profundidades, tanto maiores quanto maior a idade, podendo encontra-se a mais de 450 metros, poderá atingir 20 anos de idade, ultrapassar 180 centímetros de comprimento e pesar mais de 20 kg.).

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