
local. Estendem-se braços para as luzes brilhantes a 6 ou 8 milhas. E não è uma dessas visões habituais nas catástrofes. Na ponte de comando, o comandante Smith e os seus oficiais, com binóculos (os mesmos que faltaram aos dois vigias na torre), vêem distintamente as luzes desse navio salvador para o qual partem as mensagens luminosas, mas o desconhecido permanece surdo e mudo. No mínimo está a avançar em direcção ao Titanic? Não. As luzes cintilam no mesmo local. Elas prometiam um milagre; tornam-se um pesadelo para os resgatados, pois não há mais tempo. O Titanic parte-se em dois; as chaminés oscilam; a proa mastreia-se na água, depois a popa. São 2h30m. Um pouco antes da submersão, as luzes desconhecidas tinham enfraquecido e depois apagado.
Às 5h um projector abre caminho na noite. È uma grande embarcação com uma chaminé alta e quatro mastros, o Carpathia recolhe 709 resgatados e afasta-se. Algumas horas mais tarde, um segundo navio pára no meio dos destroços, de pedaços de gelo, de botes virados. E esse navio, o Californian, que chega demasiado tarde, è o símbolo do azar, a sua ironia, o seu absurdo, os seus enganos. Porquê? Porque o Californian teria podido salvar centenas e centenas de vidas: só estava a cerca de 20milhas do naufrágio (uma pequena hora de caminho), mas o seu rádio havia deixado a escuta vinte minutos antes dos primeiros apelos de aflição; mas o seu 1º tenente confundira a auréola, no horizonte, dos foguetes de pedido de socorro, com as luzes de um navio longínquo. Então o Californian era esse desconhecido cujas luzes os passageiros do Titanic tinham visto brilhar? Não, se estivesse de facto a 20 milhas do paquete em agonia.

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