quarta-feira, 3 de junho de 2009


tempos, tinham que fazer uns toldos de lona para se taparem, para se abrigarem. Chegavam a apanhar temperaturas de 18 graus abaixo de zero, e atolados no meio do peixe. O bacalhau ficava como cortiça, de tanto frio que fazia. As torneiras para a lavagem do bacalhau tinham de estar sempre abertas se não a água gelava nos tubos. As doenças eram por causa da comida, que não prestava para aquele serviço.
Atrás do bacalhau, naquela que ficou conhecida como a «Faina Maior», atravessaram-se mares sem fim, exploraram-se gelos eternos e enfrentaram-se tempestades tenebrosas. Foi ainda razão de ser de uma epopeia brilhante de verdadeiros “Lobos-do-mar”.
Famílias e gerações inteiras recrutadas em colónias piscatórias como Ílhavo, Figueira da Foz, Vila do Conde, Povoa de Varzim e Fuzeta; rumavam a uma actividade que conheceu os seus «anos dourados» entre as décadas de 50 e 70.
A vida a bordo destes lugres era dura, na pesca do bacalhau, tudo era duplamente complicado, maus tratos, má comida (levavam um pipozito de vinho, um bocado de carne, azeite, umas cebolas, que era para quando a refeição não caísse bem poderem fazer uma caldeiradazita, com o peixe da rede), e má dormida... Quando saíam da barra, nunca sabiam por quanto tempo era. Chegavam a fazer uma viagem de oito meses, oito meses certinhos, de barra a barra. As notícias de casa chegavam pelo navio Gil Eanes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário