
Garantia-se o futuro do abastecimento nacional do «pão dos mares» através do cumprimento de um programa económico à prova de concorrência externa, inspirado nas políticas económicas do fascismo italiano. Aliança frágil, feita de circunstâncias históricas, a que uma posterior política de protecção das águas territoriais do Canadá poria cobro, (antes ainda de outras dinâmicas de cooperação internacional entrarem em jogo). Poria cobro mas devagar, por via de um improvisado mas sempre eficaz programa com discurso oficial de protecção da antiguidade, esticando a corda da memória, à boa maneira portuguesa. Fosse como fosse, para os rapazes de Portugal a escolha far-se-ia a partir de certa altura entre duas guerras: a de África ou a do bacalhau. Guerras que se equivaliam.
Os melhores na guerra do bacalhau ganhavam o direito a beber um cálice de vinho do Porto com Salazar no ano seguinte ao bom score. Heróis do Mar, a quem era conferido um valor simbólico superlativo, por um regime que os manipulava comparando-os aos marinheiros de quinhentos. Mas apesar disso, nos conhecimentos dos anos 70 o mundo mudava de vez para os portugueses (a Faina Maior não cabia nele), pondo um fim à grande ficção insana da história marítima do século XX.

Nenhum comentário:
Postar um comentário