quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Quem saía dos caminhos, frequentes percorridos por batedores, expunha-se a grandes dificuldades. Existia o risco de se perder muito tempo antes de encontrar o mediador ou os mediadores, podendo passar-se vários meses até conseguir-se juntar mercadoria para um carregamento rentável. Entretanto, a tripulação adoecia e morria. Mas não eram menores as dificuldades e as incógnitas daqueles que procuravam e apostavam nos centros mais frequentados, onde a paragem resultante do embarque dos escravos poderia ser bastante longa e, onde se davam os inconvenientes, já anteriormente referidos. A esperança residia nos mercados menos congestionados e menos tenazmente pretendidos, se conseguisse concluir os negócios a preços mais baixos. No entanto, as incertezas deste negócio abundavam e aumentavam em tempo de guerra. Lentos e pesados, os navios negreiros eram facilmente interceptados e pilhados, levando a um aumento do preço dos escravos. As guerras que se desenrolaram no decurso do século influenciaram o papel da França e da Inglaterra no comércio africano. Os conflitos dos anos 1744/1748 e 1756/1763 prejudicaram a França que tem uma desforra parcial com a guerra de 1778/1783, graças a ela foi recuperada a região do Senegal, perdida em finais de 1758 e que, sucessivamente, passou a fazer parte do conjunto de possessões inglesas de nome Senegambia. No duelo com a França foi sempre a Inglaterra a levar vantagem. Os mercados ingleses demonstraram uma maior capacidade de inserção no jogo da relativa livre iniciativa, que caracterizou o tráfego negreiro depois de 1750, também, não nos devemos esquecer das condições da economia inglesa na altura.
Com a intenção de manter este comércio (o comércio de escravos), exportando os produtos pedidos no mercado africano a preços mais convenientes, depois de 1750, por exemplo, abriram-se novos mercados para tecidos do Lancashire. Os mercados britânicos de escravos aproveitaram essa ocasião propícia, e no quarto de século que se seguiu a 1750, conseguiriam o domínio de todo o comércio africano. Quintuplicaram neste período, o valor das exportações e das reexportações britânicas em direcção a África, e conseguiram transportar, antes da guerra com a América, quase 50 mil negros por ano.
Foi uma explosão que o insucesso nos conflitos com a França de 1778/1783 não conseguiu bloquear, em 1790 Liverpool tinha 141 navios negreiros contra os 53 de 1751(Bristol, que tinha dominado nos primeiros 50 anos, apenas tinha 28). Em França, o destino de Nantes conheceu fases alternadas, esplendor na primeira metade do século e ofuscação de 1763/1783, com uma retoma em 1783. Nos anos de 1783/1790 a frota negreira de Nantes era de 94 navios (de 104, se também considerarmos o comércio com Moçambique).

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