
Dois em cada dez indivíduos que abandonavam África nos navios negreiros nunca chegavam ao seu destino no Novo Mundo por culpa das tremendas condições da viagem, e um outro costumava morrer pouco tempo depois de pôr o pé em terra, vítima de doenças várias, outros dois costumavam suicidar-se quando se convenciam de que nunca mais regressariam aos seus lares. Tendo isto em consideração, ninguém se deve surpreender pelo facto de, dos milhões de africanos que foram transferidos para a América durante quase os três séculos que durou o tráfico de escravos, mais de metade tivesse morrido antes de alguém ter podido aproveitar o seu potencial de trabalho.
Mas mesmo assim tratava-se do melhor negócio que existiu durante séculos.
Nem sempre a causa de morte a bordo, resultava da má alimentação, da falta de água e do espaço insuficiente mas também de doenças adquiridas antes mesmo da viagem, doenças que se desenvolviam durante a viagem, visto que cada viagem durava em média 45 dias. Por exemplo, havia no mar uma lei não escrita, (provavelmente a mais cruel, mas também a mais humana para todos os que, longe de tudo isto, não têm culpa de que existiam negreiros que transportem a sua carga humana em tão desumanas condições). Que se devia impedir a todo o custo que qualquer embarcação suspeita de levar a peste a bordo, chegue a bom porto. A peste num navio era assinalada com uma bandeira amarela no mastro maior.
Esta praga, em tempos atrás levava à tumba três em cada quatro habitantes da Europa. Homens rudes, que já tinham demonstrado amar a guerra, não temer a morte, ou serem capazes de conviver amigavelmente com a fome, tremiam de no entanto como crianças unicamente perante a menção da palavra «peste». (1)

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