
Em nenhum lugar estaria a salvo, porque a África, toda a África, não era mais do que um imenso couto de caça onde se apanhavam rapazes com capacidade para cortar cana-de-açúcar. Portanto, restava apenas uma solução, fazer com que ficassem incapazes de cortar cana lá na América, por isso, uma vez por ano, a maioria dos rapazes que pela sua idade ou compleição física corriam o risco de ser raptados, sujeitavam-se de bom grado ou pela força, ao terrível trauma que significa perderem com uma irreversível machadada a sua mão direita, perdendo assim o seu valor. Se já não podiam render o máximo empunhando um Machete, nenhum fazendeiro de Cuba, Jamaica ou Brasil daria dinheiro por eles. Ouvir o grito de dor quando o coto a sangrar era introduzido em azeite a ferver para cicatrizar era aterrador.
Naqueles tempos a cerimónia da mutilação dos meninos africanos constituía sem dúvida um dos mais arrepiantes espectáculos de que há notícia ao longo de toda a história. Um pouco mais tarde, os traficantes de escravos adquiriram o selvático costume de cortar a cabeça e cravá-la na ponta do coto a todos os rapazinhos que descobriam com a mão cortada, como claro aviso de que não estavam dispostos a que o seu negócio fosse prejudicado com tão absurdo subterfúgio, o que com o tempo, fez com que as horríveis mutilações deixassem de ter sentido.
Havia uma clara preocupação dos transportadores de alojar o maior número possível de negros para recompor as perdas (de aproximadamente 20 a 40% dos cativos transportados), por isso, normalmente transportavam mais pessoas do que o porão podia realmente alojar.

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