quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Os abastecimentos deveriam ser contínuos, pois o trabalho massacrante nas plantações de açúcar fazia com que a esperança média de vida do escravo fosse 10 anos. Perspectiva horrível para quem tinha sobrevivido aos horrores da viagem e visto morrer, à sua volta, muitos dos companheiros de viagem. É difícil precisar o número de negros mortos durante as viagens. Para o período de 1761/1810 avançou-se o número de 318.371 (3.658.000 escravos que partiram de África, 3.339.629 que chegaram ao seu destino).
Cálculos que mostravam algum benefício, pois no inventário foi indicada uma diminuição da mortalidade entre os anos de 1761/1768 e 1795, ter-se-á passado dos 8,5% para os 2,7%, com momentos nos 9,6% nos anos de 1788 e 1790. É difícil de precisar as causas para a mortalidade. Ao que parece, predominavam a disenteria, a febre e o escorbuto, devido à sobrelotação dos navios, mas alguns estudiosos mostraram, recentemente, ter dúvidas quanto à influência letal dessa mesma sobrelotação. Um papel importante deverá ser atribuído ao suicídio e às revoltas em alto-mar, as quais eram dominadas com repressões mortais. As leis cruéis da economia mercantil levavam a que se enchesse o mais possível os navios negreiros, e se gastasse o menos possível em mantimentos para os negros durante a viagem; mas essas mesmas leis impunham, também, um certo limite, para além do qual os riscos aumentariam perigosamente e a mercadoria poderia deteriorar-se de tal forma, que podia comprometer os lucros esperados.

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