
Nestes limites, que admitiam uma grande perda de vidas humanas e que não tinham quaisquer considerações filantrópicas, não se pode dizer que, no geral, os capitães dos navios se pautassem por uma total ausência de escrúpulos ou por uma bestialidade cruel. No primeiro lugar do comércio negreiro encontrava-se a Inglaterra com 1.535.000 escravos importados entre 1761 e 1810; no mesmo período, seguia-se Portugal com 1.055.000 (até final de 1760, ou seja, até ao final do longo período dourado, a mão de obra foi usada nas minas; de seguida foi usada no indaco (2) e no algodão); e em terceiro lugar estava a França com 595.000 (correspondia a 62% da quantia que ela importou durante todo o século XVIII; não nos esqueçamos que o tráfego sofreu uma queda com a Revolução). Os lucros não estão exagerados. Os armadores de Nantes chegaram a fazer 7,5% mas também se tiveram de contentar, por vezes com 2%. Em qualquer caso, não havia a certeza de um lucro estável, pois tudo dependia de uma série de factores que agiam com graus diversos de intensidade e de imprevisibilidade. Lucrava-se mais ou menos dependendo da rapidez das operações nas costas africanas, dependendo de como corria a viagem, dependendo da possibilidade de venda que o mercado das Antilhas apresentava e, dependendo da rapidez dos pagamentos.

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