quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


No Congresso de Viena, não obtivera a Inglaterra a inclusão, na Ata Final, de uma cláusula que equiparasse o tráfico à pirataria. Conseguira, entretanto em relação àquele, que no anexo XV à referida Ata, constasse a sua condenação em princípio. Entretanto, bilateralmente, assinou com Portugal, também em 1815, um tratado para abolição do tráfico de escravos em todos os lugares da Costa de África ao norte do Equador, além dessa medida, o texto bilateral assinala que D. João resolvera adoptar nos seus domínios, uma gradual abolição do comércio de escravos. O Governo inglês não esmorecia no seu afã e, em 1817, não lhe sendo ainda possível atingir o seu maior objectivo, alcançara pela Convenção que tem por fim impedir qualquer comércio ilícito de escravatura, fosse adoptado e reconhecido o famoso direito de visita e busca nas embarcações suspeitas e a criação de comissões mistas para julgarem os navios apresados, que passaram a funcionar na Serra Leoa e no Rio de Janeiro.
É a 13 de Maio, que se “celebra” a data oficial da abolição dos escravos, por meio de Lei Áurea, na ocasião, assinada pela Princesa Isabel.
Após a meritória campanha de Wilberforce, na segunda metade do século XVIII, vencidos os opositores internos da abolição do tráfico e da escravidão, a Grã-Bretanha, desde o início do século XIX, tornara-se a campeã da liberdade dos escravos negros, se bem que somente em 1838 tenha proclamado a abolição total da escravidão nas suas colónias.
Seria interessante recordar, como um flash, num esforço de situar o assunto num contexto mais amplo, que em 1787 o tráfico deslocava anualmente 1000.000 escravos negros, transportados pela Inglaterra (38.000), França (31.000), Portugal (25.000), Holanda (4.000) e Dinamarca (2.000). Os negreiros haviam também mudado a sua direcção. Durante o século XVIII, metade deles dirigiam-se às Antilhas inglesas, holandesas e francesas. No século XIX não tiveram senão dois destinos: o Brasil e Cuba. Depois que a França perdeu São Domingos, a ilha espanhola tornou-se o primeiro produtor mundial de açúcar; reclamava incessantemente mais escravos, uma parte dos quais revendia aos fazendeiros do sul dos E.U.A.

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