quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Outro problema com os alimentos refere-se ao facto de que aquilo que era disponibilizado para os negros era a sobra, ou sejam, os alimentos que não eram bem aceites ou que eram mesmo rejeitados pelos marinheiros. Portanto, a parte que cabia aos escravos era de qualidade duvidosa, muitas vezes, a eles eram dados os alimentos deteriorados ou apodrecidos. Entre os negros que compunham a “carga” do navio eram encontrados adultos (homens e mulheres numa faixa etária média de 17 a 25 anos), como a maior parte do “carregamento” eram mais caros na relação de troca que se estabelecia nas Américas por estarem com a força e a saúde necessárias para o serviço da lavoura, assim como crianças adolescentes e idosos de ambos os sexos.
Os escravos que morriam ao longo da viagem eram atirados ao mar. Até que seus corpos fossem retirados, poderia demorar algum tempo, (horas ou até mesmo um ou dois dias). Isso causava problemas relativos ao cheiro do cadáver e a contaminação dos demais pelas doenças que tivessem vitimado o morto.
Como os navios negreiros eram feitos de madeira, a força dos oceanos pelos quais passavam acabava fazendo com que chocalhassem intensamente durante ventanias ou tempestades, isso fazia com que tanto os escravos quanto a tripulação acabassem passando mal e vomitassem. No caso dos cativos era pior, pois tinham de libertar o resultado da sua náusea para o porão onde se encontravam.
Por estas razões e por outras, houve uma preocupação da coroa portuguesa com as condições dos escravos a bordo dos navios. Poderemos ver isso nos Regimentos da Fazenda Real.
O maior problema está em saber se as determinações apresentadas por regimentos eram efectivamente empregues e respeitadas. Muitas foram as perdas de escravos, havia falta de água, falta de alimento, falta de espaço etc., etc.

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