A história do tráfico è por demais complexa e remota, cabendo às mais antigas sociedades das nações e a todos os povos da alta antiguidade, portanto não cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez são descendentes de povos que também foram escravizados e dominados por outros mais poderosos.
A escravidão histórica que è própria de todas as sociedades humanas, numa fase da sua evolução política desenvolve a chamada escravidão mercantil. É no princípio do séc.XV que se puseram os primeiros navegantes cristãos em contacto com os escravos da costa africana do Oeste. Foi no ano de 1432 que o navegador português Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e é a partir desta época que os portugueses passam a traficar os escravos com as ilhas da Madeira, Porto Santo, de seguida para os Açores, Cabo Verde e finalmente para o Brasil.
Em meados do séc.XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao tráfico negro, pesa também sobre a França, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois cabe-lhe a primazia como vanguardista no tráfico e no comércio de escravos, autorizado no reinado de Eduardo VI e começando no reinado da Rainha Elizabeth no séc.XVI, (foi a própria rainha, o príncipe Rupert e o duque de York, os fundadores da tristemente famosa Real Companhia de África especializada na captura e venda de escravos), sendo John Hawkins o primeiro inglês a empreender o comércio de negros escravos.
A história dos navios negreiros, è a mais comovente epopeia de dor e de desespero da raça negra. Homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cubículos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde se iam misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastidão dos mares. A fome e a sede de mãos dadas com as doenças que se propagavam nos ambientes estreitos, passavam pelos moribundos e não lhes ceifava a vida, concedendo-lhes perdão e misericórdia que não encontravam aconchego nos corações dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarcações e que só se preocupavam com o negócio rendoso que a escravatura oferecia.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário