
O abastecimento de escravos era proveniente do comércio da costa ocidental africana, que se estendia do Senegal a Angola, enquanto de lado, era deixada a costa oriental, onde se situava (num estado de decadência, que levou a que se falasse de «império fantasma»), a colónia portuguesa de Moçambique. Fundamental era a figura do mediador negro, que procurava escravos contactando com soberanos africanos, que os entregavam aos mercadores ou nas praças-fortes construídas pelos europeus, ou então (quando se tratava de mercadores que agiam por conta própria, até mesmo fora do âmbito das companhias privadas com praças-fortes próprias), noutras localidades costeiras. As mercadorias de troca consistiam em contas, tecidos, fitas e mosquetes, estes últimos com grande procura, especialmente no delta do rio Níger. Encontrar produtos que fossem do agrado e das necessidades das tribos nem sempre era fácil. Frequentemente, os europeus não tinham ou não queriam ter, em quantidade suficiente, aquilo que deles era exigido, sem contar que a procura também estava dependente das oscilações e variações das mesmas tribos. Uma outra grave dificuldade devia-se ao facto de que, aproveitando-se da concorrência que não excluía os golpes entre quem adquiria a mercadoria, os mediadores subiam os preços. Nos mercados, onde a afluência era maior, era pois necessário obter-se, através da oferta de elevados pagamentos, os serviços de um grande número de pessoas (funcionários, remadores, etc.), que viviam de expedientes. Foram estes os motivos que levaram à procura de novas zonas onde obter a preciosa mercadoria. Muitos comerciantes tomaram esta mesma direcção, e a seu empreendimento contribuiu para iluminar cruelmente o funcionamento mecânico das companhias privilegiadas. Gradualmente o monopólio praticado por estes países abrandou. Nos primeiros cinquenta anos o governo inglês decide-se pela liquidação da Companhia Real africana, substituída pela Company of Merchants Trading to Africa,
que podia participar mediante o pagamento de uma determinada cota. No mesmo período, o armamento livre era o protagonista do comércio franco-africano, embora oficialmente ainda confiado, depois de sucessivas e complicadas passagens de mão, a uma companhia privilegiada.

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