
A zona dos oceanos do Sul que se encontra entre os paralelos 40 e 60 é uma das mais temidas e respeitadas pelos navegadores, por causa dos temporais frequentes que os ventos de componente oeste desencadeiam e das ondas enormes ao longo de milhares de milhas que duram semanas. É uma vasta zona que rodeia o planeta e a mais afastada da terra habitada.
A história da navegação está repleta de relatos de naufrágios e de experiências terríveis na zona do mundo açoitada pelos ventos que popularmente se conhecem como os Quarenta Rugidores ou os Cinquenta Uivadores. As baixas latitudes austrais são uma das zonas de navegação que mais amedrontam os navegadores desde que o português Bartolomeu Dias sulcou as suas águas pela primeira vez em 1488, navegando para lá dos 40º de latitude sul. Enquanto procurava o último cabo africano, o cabo das Tromentas (hoje cabo da Boa Esperança), Bartolomeu Dias viu-se obrigado a afastar-se bastante da costa na direcção sul-sudoeste por causa dos ventos contrários, levando-o a ultrapassar o paralelo 40. Foi ali que deparou-se com os fortíssimos ventos do oeste que lhe permitiram rumar a nordeste, acabando por dobrar o cabo da Boa Esperança sem o ver. O navegador português e os seus homens foram os primeiros a navegar tão para sul e foi o terror da tripulação ao penetrar naquelas águas frias e ameaçadoras que o obrigou a alterar o seu rumo.
Uma vez descoberta a rota até à Índia pelo Índico, os navegadores lançaram no esquecimento as latitudes do hemisfério sul para lá do paralelo 40, já que nenhum explorador se atreveu a aventurar-se nessas regiões do planeta onde se pensava nada mais existir do que gelo e tempestades medonhas.

Em 1520, a expedição de Fernão de Magalhães
foi a primeira a descer para lá do limite estabelecido por Bartolomeu Dias. Na sua busca da tão desejada passagem até ao chamado Mar do Sul, Magalhães foi descendo até se deter para passar o Inverno numa enseada que denominou de Puerto de San Julián, a 49º de latitude sul. Passaram ali cinco duros meses de frio e incerteza, com a tripulação a ter de suportar a dureza do clima e os terríveis ventos de oeste e sudoeste, que uivavam sem cessar, avivando os seus temores acerca do que poderiam encontrar assim que virassem rumo ao Mar do Sul e ficassem a barlavento do continente sul-americano. Magalhães descobriu o estreito que tem o seu nome, alcançou o Mar do Sul num estado de calmaria pouco habitual e subiu rapidamente para norte pela costa chilena, afastando-se daquelas inóspidas latitudes.

O primeiro marinheiro famoso a enfrentar absolutamente as duras condições meteorológicas das baixas latitudes austrais foi Francis Drake. O corsário inglês entrou no Pacífico pelo estreito de Magalhães em Setembro de 1578, com a intenção de procurar a passagem do Noroeste até à Ásia e de atacar os espanhóis nas costas sul-americanas. Mas se Magalhães beneficiou de umas condições climatéricas calmas, Drake deu de caras com a rudeza das tempestades austrais.
Um temporal terrível com ventos de noroeste semelhantes a furacões desviou-o para sul e durante dois meses os três navios da expedição tiveram de enfrentar condições terríveis. Só o Golden Hind de Drake manteve o rumo em direcção a sul,, levando-o a encontrar a passagem entre a Antártida e a América do Sul. Quando Drake regressou a Inglaterra, relatou as duríssimas condições que teve de enfrentar e a fama do terrível sul espalhou-se pelo país.

Nenhum comentário:
Postar um comentário