Será que quando “o fiel amigo” chega às nossas mesas, alguém pensa nos pobres pescadores da nossa terra e na vida terrível que lhes caiu em sorte?
Nos lugres, em grade formação, todos de branco, começar a largada pelo Tejo fora. Depois, no Atlântico, rume ao Noroeste, as velas enfunadas pelo vento rijo, passara um, depois outro, como numa regata.
E já próximo da zona de pesca quando todos sentem mais frio, nas cartas de navegar fica assinalada uma nova posição e a sonda diz serem menores as profundidades, amostras, vindas do fundo, são de areia e de fragmentos de conchas.
È o banco, o Grande Banco dos bacalhaus.
Então, debaixo de nevoeiro, sempre frequente nessa época estival, dado o encontro mais intenso das duas correntes de temperatura diferente. A fria é mais caudalosa pois è altura dos degelos, lá para o Norte. Também por isso pode arrastar os «icebergs», quantas vezes visíveis só depois de o navio lhes estar em cima, perdido para sempre.
Quando desce a amarra e o veleiro fundeia, há azáfama a bordo pois vão-se arriar os dóris. Há anzóis no mar, em breve surgem as primeiras vítimas da gulodice e da fome; os vorazes bacalhaus.
Centenas de aves circundam os dóris, as gaivinas, gaivotas, painhos, cagarras e pombalêtes, tão usadas pelos nossos pescadores como isco na pesca do bacalhau, desde que de outros iscos não dispunham.
Será que se lembram, do trabalho obscuro, brutal, que não mais pára enquanto os porões do lugre não estiverem a abarrotar?
Mas também há interrupções! Quando o peixe falha, quando o mar não quer. E de repente, quase sem transição. Vem a bruma, como um manto, tudo envolvendo desde o horizonte. Ainda há dóris no mar, com pescadores regelados remando para onde julgam estar o navio, que tantas vezes não mais encontram. Só se ouve o badalar do sino, em tom plangente, sinistro, no meio da escuridão, ou então a voz cava do «foghorn» enquanto ao longe, outros barcos, apitam com força ou largam foguetões.
De outras vezes è o vento, a terrível brisa dos Bancos que tantas vezes acaba em franco temporal. Há então amarras quebradas, mastaréus partidos, navios desgarrados, correndo com o tempo, ou lutando, de capa, com as vagas, vencendo ou sendo vencidos, (naufragando). Quando o tempo amaina, não vem por isso o descanso às esgotadas tripulações, há que procurar novo sítio para que a pesca, a campanha, possa ir até ao fim.
A bordo ainda tem mãos o pobre escalador, e nos porões; os homens da salga, metidos pelas pilhas compactas de onde escorre uma salmoura viscosa, e a atmosfera cada vez mais húmida, só querem nadar no peixe, ir com as costas até ao tecto, para poderem, enfim regressar. Os dóris voltam a descer, durante dias, durante meses…
Todos trabalhando rudemente, brutalmente, com as barbas hirsutas, os corpos suados de muitos meses pensando sempre na Terra, na família e no pão que andam conquistando.
Nos lugres, em grade formação, todos de branco, começar a largada pelo Tejo fora. Depois, no Atlântico, rume ao Noroeste, as velas enfunadas pelo vento rijo, passara um, depois outro, como numa regata.
E já próximo da zona de pesca quando todos sentem mais frio, nas cartas de navegar fica assinalada uma nova posição e a sonda diz serem menores as profundidades, amostras, vindas do fundo, são de areia e de fragmentos de conchas.
È o banco, o Grande Banco dos bacalhaus.
Então, debaixo de nevoeiro, sempre frequente nessa época estival, dado o encontro mais intenso das duas correntes de temperatura diferente. A fria é mais caudalosa pois è altura dos degelos, lá para o Norte. Também por isso pode arrastar os «icebergs», quantas vezes visíveis só depois de o navio lhes estar em cima, perdido para sempre.
Quando desce a amarra e o veleiro fundeia, há azáfama a bordo pois vão-se arriar os dóris. Há anzóis no mar, em breve surgem as primeiras vítimas da gulodice e da fome; os vorazes bacalhaus.
Centenas de aves circundam os dóris, as gaivinas, gaivotas, painhos, cagarras e pombalêtes, tão usadas pelos nossos pescadores como isco na pesca do bacalhau, desde que de outros iscos não dispunham.
Será que se lembram, do trabalho obscuro, brutal, que não mais pára enquanto os porões do lugre não estiverem a abarrotar?
Mas também há interrupções! Quando o peixe falha, quando o mar não quer. E de repente, quase sem transição. Vem a bruma, como um manto, tudo envolvendo desde o horizonte. Ainda há dóris no mar, com pescadores regelados remando para onde julgam estar o navio, que tantas vezes não mais encontram. Só se ouve o badalar do sino, em tom plangente, sinistro, no meio da escuridão, ou então a voz cava do «foghorn» enquanto ao longe, outros barcos, apitam com força ou largam foguetões.
De outras vezes è o vento, a terrível brisa dos Bancos que tantas vezes acaba em franco temporal. Há então amarras quebradas, mastaréus partidos, navios desgarrados, correndo com o tempo, ou lutando, de capa, com as vagas, vencendo ou sendo vencidos, (naufragando). Quando o tempo amaina, não vem por isso o descanso às esgotadas tripulações, há que procurar novo sítio para que a pesca, a campanha, possa ir até ao fim.
A bordo ainda tem mãos o pobre escalador, e nos porões; os homens da salga, metidos pelas pilhas compactas de onde escorre uma salmoura viscosa, e a atmosfera cada vez mais húmida, só querem nadar no peixe, ir com as costas até ao tecto, para poderem, enfim regressar. Os dóris voltam a descer, durante dias, durante meses…
Todos trabalhando rudemente, brutalmente, com as barbas hirsutas, os corpos suados de muitos meses pensando sempre na Terra, na família e no pão que andam conquistando.

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