sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Descoberta



Julga-se que os verdadeiros descobridores da Terra Nova foram os nossos compatriotas João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem, os quais, em 1463,segundo uns, de 1472 a 1473, segundo outros, a teriam revelado ao mundo moderno, baptizando-a de Ilha dos Bacalhaus. Ao que parece, João Vaz embarcara como companheiro de uma expedição dinamarquesa, largando da Islândia, como base de operações.
Demandavam eles um outro caminho que nos levasse à Índia, pois era necessário cortar, de que forma, as rotas do Mediterrâneo, que faziam de Veneza e Génova os grandes empórios comerciais daquele tempo.
Já não bastava o caminho de África, o caminho bem delineado do sueste, visto que estes novos capitães a demandavam pela passagem gelada do setentrião, onde se vieram afinal a perder para sempre, embora depois de encontrarem uma grande ilha, a Terra Nova. È assim que um ao outro português, Gaspar Corte Real, também no encalço da aventura e do mistério daquelas paragens tão frias, navegando, pelo actual Estreito de Davis, até ao circulo Polar Árctico, na Gronelândia, e, daí, até às costas do Labrador, revela a Terra Nova, no anos de1500, dando assim publicidade à ilha que seu pai teria descoberto. È de Gaspar Corte Real a primeira carta da Terra Nova.
Do seu irmão Miguel Corte Real, sabe-se que largou de Lisboa em 1502, com rumo à Terra Nova (è a passagem do noroeste), onde naufragou. Conseguiu passar do continente americano, antecedendo por uma dúzia de anos Verrazzano, que se supunha ser o primeiro navegador europeu a visitar a costa norte americana designada por Estados da Nova Inglaterra. Aí se fixou, vivendo com os índios, que o arvoravam seu chefe, tendo deixado o nome e data de 1511 gravada na célebre Pedra de Dighton, nas margens do Rio Tauton, onde provavelmente veio a morrer. A outros portugueses couberam ainda a exploração das terras setentrionais do ocidente.
Com efeito, não falando dos muitos e arrojados marinheiros que, dos Açores, partiram em busca da «Décima Ilha» e de outras terras mais distantes: João Álvares Fagundes, que reconhece a Terra Nova, também chamada «Fagundes»; João Fernandes Labrador e Pedro de Barcelos, que descobriram a Península de Labrador (1492) João Martins, piloto do Capitão Maldonado, que teria conseguido desvendar a almejada passagem boreal, do Atlântico ao Pacífico, pelo noroeste; finalmente David Melgueiro, que navegou do Japão ao Porto, pelo Estreito de Behring e Oceano Glacial Árctico, até ao 84º de latitude norte e, daí, pelo Canal de Spitzbergen e Gronelândia e as Ilhas Britânicas, até chegar às costas de Portugal, assim descobrindo outra passagem setentrional, pelo nordeste, numa viagem aventurosa que poucos mais haviam de repetir, mesmo nos tempos modernos.
Mas a outra descoberta havia sido a do “fiel amigo” que não mais deixaria, de nos interessar, chegando à honra, única em todo o orbe, de nosso prato nacional.

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